segunda-feira, setembro 18, 2006



Estávamos naquela que, há uns anos atrás, chamámos floresta das fadas. Deitados na relva, avistávamos pomares cheirosos e em flor e falávamos de como nos sentiamos unos com aquela paisagem; de como acreditávamos que eu, e tu, e aquela praia e aquela borboleta branca, éramos moléculas do mesmo todo e, por isso, descansávamos na certeza fugitiva de que somos o grão de pó irresponsável e passivo que é levado pelo sopro do vento ou a gota de água perdida na corrente, se qualquer responsabilidade individual.
Lenta e caladamente, embebedámo-nos na doce paz crepuscular. Às vezes olhávamos um para o outro no mesmo momento, pensando ambos a mesma coisa e sentimos os dois a eternidade de todos os momentos e que tudo quanto pode ser expresso por palavras é apenas parcial, porque palavra alguma pode revelar o que nós sentimos naquele anoitecer.

Entretanto a noite caiu e ficámos os dois a contemplar silenciosamente um sumptuoso céu de fim de Verão cheio de estrelas. Desde o iníco da tarde que nos nossos olhos bailavam lágrimas, mas quando te comovido, lágrimas incontíveis começaram a deslizar-me pelo rosto.
Então, da idealidade descemos desgostosamente à realidade e dissémos boa noite. Para sempre.

quinta-feira, agosto 17, 2006


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

FP
It's funny how when you're a kid, a day can last forever. Now, all these years seem just like a blink...

segunda-feira, julho 24, 2006


Here is the deepest secret nobody knows.
Here is the root of the root and the bud of the bud
And the sky of the sky of a tree called life;
Which grows higher than the soul can hope or mind can hide.
And this is the wonder that's keeping the stars apart.
I carry your heart.
I carry it in my heart.

E. E. Cummings

domingo, julho 16, 2006


«Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.»

Miguel Esteves Cardoso

quinta-feira, junho 15, 2006

estes tempos de exames...

sexta-feira, junho 09, 2006



Uma vez ouvi uma história de dois ratinhos que caíram num balde de natas. O primeiro depressa desistiu e afogou-se. O segundo não desistiu: lutou de tal forma que acabou por transformar as natas em manteiga e conseguiu sair do balde.


Já tenho saudades de vos ver, de conversar convosco, não consigo deixar de pensar nos milhares de coisas em que o meu coração pousou nos últimos três anos, numas levemente, noutras com paixão e amor. Agora é tempo de cada um seguir o seu caminho no labirinto da vida; do meu ainda consigo ver-vos a afastarem-se e contemplo o silêncio que ontem era preenchido pelos vossos risos.

Tudo o que fomos ficará guardado dentro de mim, hospedado num colchão de pétalas no chão da minha memória. Mas não depende senão de nós continuar a semear e a colher o muito que ainda temos para dar uns aos outros. Vamos ser como o segundo ratinho, que lutou pela sobrevivência.

hasta siempre...

segunda-feira, maio 29, 2006


Honey: Oh God, this is one of those key moments in life, when it's possible you can be really, genuinely cool - and I'm failing 100%. I absolutely and totally and utterly adore you and I think you're the most beautiful woman in the world and more importantly I genuinely believe and have believed for some time now that we can be best friends. What do YOU think?